Por Jo?o Paulo Neto à Epic Play —

“O verso desta carta simula um portal para o inferno” – ou algo próximo disso – foi o que Gilberto Barros, um antigo apresentador de programas de auditório, falou sobre a febre Yu-Gi-Oh!. Isso foi em 2003. Com?13 anos na época, achei aquilo um absurdo. Era um jogo de cartas, similar ao já antigo e famoso Magic: The Gathering, além de ter seu próprio?desenho que estava fazendo bastante sucesso.

Olha só, o “portal do inferno”…

Várias pessoas mais velhas do que a molecada inserida na era?de Yu-Gi-Oh! estavam com medo dessas cartas, pensando que isso?poderia levar o filho para o inferno, pois seria?um “verdadeiro sinal do dem?nio” na terra. Nem é?preciso dizer o quanto isso é uma bobagem, certo? Mas, muitas crian?as foram proibidas de jogar com seus amigos, cartas foram queimadas, rasgadas, trituradas, escondidas… E?a onda Yu-Gi-Oh! foi sumindo com o tempo. N?o?exclusivamente pelo ódio ao jogo, mas sim por estarem surgindo outras novidades para entretenimento no mercado.

N?o é como estarmos apontando?para religiosos, mas sim APENAS?para pessoas de mente fechada, nesse caso em específico.

Dez anos depois, o jogo Assassin’s Creed foi também alvo de crítica da imprensa brasileira. Um menino de 13 anos supostamente matou a tiros toda sua família em casa, e também – supostamente – cometeu suicídio logo após o ocorrido. Pois bem, no meio de toda e?nada profissional investiga??o de minuto feita pela imprensa, descobriu-se que o garoto era f? de Assassin’s Creed… E é isso, come?aram a malha??o em cima do mesmo. Afinal, algo tinha que gerar polêmica para a mídia, e?o fato de termos?“Assassin” no nome, já era motivo de culpa?para o garoto matar.

E isso é só para citar alguns casos na televis?o brasileira e de pessoas?lutando contra o que n?o lhes convinha, trazendo-lhes aten??o?à custas de uma “febre” que n?o queriam ter.

Com a chegada no?Brasil de?Pokémon GO, n?o foi diferente. Bastou sair para download nos dispositivos Android e iOS e?o pessoal já come?ou suas?críticas descabidas e, isso veio inclusive de?f?s de longa data, ent?o, vamos cobrir o acontecido por partes:

As primeiras intrigas come?am com os jogadores de longa data da franquia –?s?o aqueles que exigem o RG Pokémon da pessoa, falando coisas como “N?o sabe nem o nome de 5 Pokémon, mas est?o?baixando e jogando” ou “Jogo Pokémon desde o século XIV, e agora tá cheio de posers”, enfim, essas bobagens sem tamanho. N?o tendo outra palavra para descrever, só consigo dizer que tudo é muito?sem propósito: a pessoa n?o quer jogar só porque é “da moda”, ou se incomoda pela raz?o de n?o estar mais em seu tempo de jogar, ou simplesmente N?O PODE jogar. Aí come?a o “recalque”, n?o é mesmo?

Pokémon de monte para se capturar!

Do nível baixo, come?amos a piorar: Aqui surgem também os adult?es da internet, que ficam dizendo que n?o v?o jogar Pokémon GO por?ser?coisa de débil, crian?as, inútil, e que n?o traz algo de produtivo às pessoas. Seria outra grande bobagem??Pensem bem, desde quando o entretenimento tem que levar alguém a algum lugar? Qual a diferen?a entre jogar algo, assistir a um filme ou?ir à?uma?balada sertaneja, nesse ponto? O entretenimento N?O TEM?que suprir?algo em prol de quem o consome… Seu principal propósito é e sempre será divertir.

Aí chegamos mais fundo, onde?dizem que as pessoas deveriam ir trabalhar, empreender, ao invés de jogar. Afinal, será que essas pessoas n?o fazem nada além de trabalhar e dormir? Ficam dezesseis horas diárias trabalhando e as outras oito dormindo. E lá vem a pergunta: Isso é viver ou ser um zumbi? N?o estamos falando de n?o ter responsabilidades, mas sim da?trágica vida de?uma pessoa,?onde só devemos sentir pena por seus “pequenos pensamentos”.

Acima, apesar de tudo, s?o arjumentos?argumentos bobos, irrelevantes e ultrapassados, vindos de pessoas “desatualizadas” sobre o entretenimento no século XXI. N?o s?o eles que v?o tirar o smartphone das m?os de quem quer jogar, apesar de quererem. E é isso que devemos entender, que isso é algo intrínseco… Onde?as pessoas, que n?o o entendem, n?o querem se juntar ao que na realidade é saudável e motivador: para se destacarem no meio da enxurrada de notícias e compartilhamentos sobre isso, falam mal até de coisas?que nunca foram realidade, tornando?Pokémon GO?algo extremamente crítico sem nem saberem do que est?o falando.

Sente só esse chute na cara da hipocrisia.

Continuando com?Pokémon GO, alguns gigantes da mídia também n?o querem que você jogue… Eles se encaixariam em algumas das pessoas ilusórias citadas acima??Coincidentemente, boa parte s?o as mesmas?que n?o querem que você jogue videogames em geral ou use demasiadamente produtos de terceiros n?o-parceiros. Como dito antes, tornam isso polêmica em prol deles mesmos… essa é a imprensa das grandes corpora??es.

Reparou como surgem notícias de que alguém foi assaltado enquanto jogava Pokémon GO? Toda hora é notícia em cima de notícia sobre isso. Ouvi conhecidos falando comigo sobre isso, e eu já até desisti de explicar que isso é uma minoria, que n?o adianta culpar o jogo, pois milhares est?o jogando… E?quando acontece algo de errado com UM, aí se torna uma presa da grande imprensa… N?o adianta?tentar?mostrar os benefícios do jogo… A imprensa quis impressionar com “tragédias” na televis?o e conseguiu sua parte, já.

Foto de Business Insider

E a coisa vai piorando. Foi compartilhada em massa uma notícia sobre um garoto que morreu afogado porque estava jogando Pokémon GO. Notícia falsa, pois o garoto tinha Pokémon GO instalado no smartphone, mas n?o necessariamente estava o jogando. Além do mais, uma crian?a n?o deve ficar sem SUPERVIS?O DE MAIORES, ainda mais próxima a um lugar onde ela pode se machucar.

Mas, n?o, o culpado é Pokémon GO…?Assim como Ezio Auditore da Firenze influenciou o menino a matar os pais (mesmo indo contra sua índole), assim como as cartinhas de Yu-Gi-Oh! iam te levar para o inferno (se aquelas cartas te afastou de Deus, nem quero saber o que outra coisa faria).

Perceba que os sites que noticiam isso dessa forma s?o majoritariamente ligados a emissoras de TV, que normalmente s?o donas deles e obtém o mesmo perfil, podendo envolver?um motivo muito óbvio: os videogames tiram as crian?as da frente da televis?o e do conteúdo de extrema má qualidade que estas emissoras apresentam. Que bom seria se as emissoras brasileiras n?o fossem t?o ultrapassadas e entendessem o jovem de hoje, invés de tentar massacrar seus gostos e passatempos.

Veja a matéria completa em https://blogdoiphone.com/2016/08/pokemon-go-e-usado-em-hospitais-para-incentivar-criancas-a-sairem-da-cama/

Pokémon GO vai mais além de tirar as pessoas da frente de um conteúdo banal e sem qualidade educativa: faz as crian?as do nosso tempo se levantarem e irem dar uma volta. Um amigo meu foi ca?ar pokémon aqui na cidade em uma pra?a no centro, onde geralmente só se viam possíveis ladr?es e até mesmo traficantes, onde havia muito perigo para cidad?os. No dia??Lotada de famílias brincando e interagindo entre si. Ou seja, o que esse jogo fez e ainda?faz é louvável. Isso sem contar os relatos de crian?as em hospitais se levantando de seus leitos, motivadas, alegres, tendo auxilio?no moral e na melhor recupera??o delas. E o que falar de autistas que est?o superando sua condi??o para SIMPLESMENTE brincar no jogo? Sem palavras para a Niantic!

Mas, claro, pra esses “gigant?es” isso é uma amea?a. é do dem?nio. Ela faz os mais velhos, majoritariamente alheios à tecnologia, enxergarem as novidades como terríveis causadoras de males à sociedade. Como é possível que um jogo que faz pessoas caminharem até mais que 10km por dia, se divertirem e conhecerem novas pessoas todos os dias, em plena era digital, onde o normal é ignorarmos as pessoas à nossa volta (até o pau de selfie acabou com a intera??o de pedir para um estranho tirar uma foto sua), ser t?o nocivo assim? Poxa, o jogo tem até ajudado pessoas em?depress?o.

Que v?o haver assaltos e roubos? é óbvio que v?o, mas isso acontece todos os dias, por qualquer outro motivo… Só que agora temos um novo culpado. Ah, e claro que também v?o ter as matérias elogiosas, porém, as de maior destaque e repercuss?o ser?o sempre as que estar?o detonando o jogo pelos motivos mais banais e sem propósito possíveis.

Mas, disso n?o tem saída. As velhas mídias, em especial a televis?o, est?o com seus dias contados. Cada vez menos atrativa, ela continua sua cruzada contra os videogames, a internet e as redes sociais. Pode reparar em como praticam a desinforma??o sobre tudo o que os jovens consomem. Tentam, assim, fazer nossos pais e avós verem tudo isso como causador de mal, de desuni?o, o que pode levar a atitudes de proibi??o de uso por seus filhos e netos.

A televis?o, citando a brasileira, continua como se?a internet e os jogos n?o existissem ou n?o fossem importantes. Ela diz para você colocar uma hashtag com a programa??o que está assistindo, porém ela n?o fala os nomes Facebook ou Twitter. Uma doce ilus?o onde infelizmente se atinge ainda milhares de pessoas no mundo todo. Além do mais, seria legal ver religiosos ensinando sobre paz e amor, ao invés de acusar o próximo e ver sempre o seu próprio baú após o arco-íris. Seria legal ver mais pais acompanhando seus filhos de forma saudável, cuidando dos mesmos, enquanto jogam Pokémon GO em parques e pra?as, conhecendo novos amigos. Seria legal.

Quer saber o que é melhor você fazer? Desligar a tv e ir jogar, passear, conversar com as pessoas, se cuidar?e se divertir. Sabe onde você acha tudo isso, por exemplo? Em Pokémon GO.

Revis?o e edi??o geral por: Jean Felipe

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